Lidar com a comida

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Anónimo

Recaí e por mais vergonha que tenha em admitir, foi esta recaída que me salvou a vida.

A minha relação com a comida nunca foi pacífica. Sempre adorei comer de tudo, sem me retrair e acabei por chegar aos 100 quilos com 12 anos. É verdade, estava um “monstro”, mas ninguém me conseguia controlar. Com a entrada no ensino preparatório, as coisas começaram a mudar. Os meus colegas insultavam-me e punham-me de parte. Tudo isto me deixou deprimida e resolvi que tinha que mudar.

Assim, comia normalmente e sem que os meus pais percebessem, no fim das refeições vomitava tudo de forma forçada. A minha sorte é que tinha uma wc no meu quarto e os meus pais não se apercebiam de nada. Aos poucos, fui perdendo peso e a desculpa que dava, era que andava a fazer muita ginástica na escola. Num ano perdi 50 quilos!!! Imaginem só a diferença.

Mas mesmo assim continuei a perder peso, até que cheguei aos 30 quilos, com 14 anos. Aí foi o descalabro! De tanto vomitar, fiz uma ferida no estômago e fui internada de urgência. Comecei a ser seguida no hospital e admiti tudo. Passei a ser vigiada e voltei a ganhar peso aos poucos. Não gostava da imagem que via no espelho, mas não podia dar mais desgostos aos meus pais, nem podia ser internada de novo.

Fiquei-me pelos 50 quilos e assim permaneci até aos 18 anos, altura em que tive a minha primeira desilusão de amor. Inconformada, voltei a vingar-me na comida e a recair. Aí os meus pais perceberam logo a situação e decidiram que antes que eu definhasse, deveria entrar em recuperação.

Vim para a clínica, era uma nova abordagem, mas que me “tocava” muito mais. Foi com esta recaída que aprendi a amar-me como sou. Além disso, aprendi a fazer refeições controladas. As pessoas eram incansáveis e eu não as queria desiludir. Venci e hoje já lido normalmente com a comida.

Além disso, dou o meu testemunho sempre que necessário para ajudar jovens bulímicas, que estão a sofrer como eu sofri. Acho que a minha história lhes dá força e sinto que posso fazer a diferença.

Sinto-me grata por tudo o que este tratamento me deu e se hoje estou viva, sei que foram eles que inspiraram.

Porque só por hoje, sei que vou ser feliz…

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