Recaída de risco

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Anónimo

Maldito álcool que destruiu a minha vida.

Em pequena eram os meus pais que bebiam e discutiam constantemente. Eu assistia a tudo aquilo e sentia-me infeliz. Sabia que aquilo era uma vida que não queria para mim.

Farta de tanta discussão em casa, com 13 anos experimentei aguardente. E como não me sabia controlar, bebia até cair para o lado. O certo é que gostei da sensação de esquecer os problemas e sentir-me mais “leve”. Assim, à socapa dos meus pais bebia-lhes a aguardente e eles como também andavam sempre bêbados nem davam conta. Embriagada cometi imensas loucuras, até que na adolescência apareci grávida.

Mesmo grávida bebia. A Segurança Social ameaçou retirar-me o filho e eu decidi que não podia levar essa vida. Tinha um filho para amar.

Só que nem eu sabia o que era o amor, já que não o tinha recebido em casa. Mas fui para uma clínica de reabilitação e fiquei “limpa” dois anos.

No regresso a casa, arranjei emprego, o pai do meu filho ajudou-me com os encargos e ficámos juntos. Só que entretanto, ele abandonou-nos, arranjou outra mulher e saiu de casa. Desesperada e sem apoios, voltei a recair. A aguardente já não me chegava e virei-me para o vinho. O álcool deixava-me descontrolada e comecei a descuidar a minha higiene diária e a do meu filho. Perdi o emprego, o companheiro, a casa.

Voltei para os meus pais, que mal me falavam. Era tão humilhada, que nem sei como aguentei tanto tempo. Mais uma vez a Segurança Social alertou-me e tiraram-me o meu filho. Ou eu provava que o merecia ou ficava sem ele de vez. Aí foi como se o mundo desabasse sobre mim. Uma tia muito minha amiga, que vivia no estrangeiro, ficou a saber da situação e disponibilizou-se em ajudar-me.

Assim, vim para o centro e comecei uma nova caminhada na vida. Não foi fácil, sentia-me desamparada, mas o facto de ter quem se preocupasse comigo, deu-me força. Além disso, não queria ficar sem o meu filhote que tanto amava. Fui uma paciente exemplar. Aqui comecei a perceber que até então ainda não tinha sabido dar o devido valor à vida. Foram dos seis meses mais maravilhosos da minha vida.

Terminado o tratamento, o meu Poder Superior ajudou-me e a minha tia responsabilizou-se por mim e pelo meu menino. Fui viver para o estrangeiro, onde sou muito feliz. Tenho uma família linda, que adoro e a quem dou tudo de mim.

Nesta unidade de tratamento renasci.

Obrigada a todos os que sempre acreditaram em mim.

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